O barulho vinha de longe
Não podia ser calado
Era barulho e não voz
Difíceis eram os dias
O barulho vinha de dentro
Sem aviso prévio
Sem pagar entrada
Um esforço absurdo
Tampões, música alta
Nada calava
Nada parava
O barulho tava encalacrado
Seco, grudado, amarrado
Passado
De uns dias longos
O barulho foi sumindo
Foi se transformando
Velho, grudado
Era música agora
Tinha gosto de chocolate
Não mais batia
O seco do barulho oco
Agora mudo, era bom
Viva o silêncio do barulho que já não existia
Viva o gosto na memória da longa noite
Viva a música que toca em seu lugar
Viva!
